quinta-feira, 14 de julho de 2011

da audácia

Eu lembro do cheiro.
Tento não me torturar lembrando que ele esteve aqui em mim um dia.
Não lembro se era dos teus braços,do teu peito,do teu pescoço ou camisa mas lembro dele.
Lembro toda vez que preciso dormir e o sono não deixa.
Lembro quando viro pro lado e reviro os lençóis da cama que nunca esteve.
Deixamos nosso cheiro num lugar barato qualquer.
Fecho os olhos. Uma, duas, três vezes.
E você está.
Tento lembrar de como eram teus olhos quando olhavam pra mim.
Não vejo
Só vejo um brilho ofuscante que chega perto do meu olho.
Só vejo meia face, meia testa, meia boca.
Me lembro que ficava contando teus dedos, dezenas de vezes entre um silêncio e outro.
Me lembro que te contava teorias absurdas que eu inventei e que só tinham serventia no meu mundo.
Me lembro que sempre demorava um pouco para eu chegar até as tuas mãos,
com cuidado para que os meus dedos não atropelassem todos os cinzeiros, copos e cigarros.
E me lembro que chegar até as tuas mãos era algo quase difícil, quase doloroso mas que eu gostava.
E que quando meu dedo escalava teu ombro, pescoço e orelhas
e se deixava cair em teu nariz,
teus dedos logo duelavam com os meus, buscando a mesma coisa.
Quando eu me despia das minhas armas, eu só podia dizer: Te quero muito, senti saudade.
Eu só podia te beijar e te amar até precisar voltar para casa depois que o dinheiro acabasse
E procurar teu cheiro na minha roupa quando eu fosse dormir
e te escrever dizendo: Tá tudo bem. Eu sinto saudade.

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